fbpx

Nestes últimos cinco dias estive no Greenfest com o projecto Pedalar Sem Idade Lisboa para informar o público português sobre o que fazemos, para quem o fazemos e sobretudo, que impacto pretendemos gerar nas comunidades, e acima de tudo, nos idosos e famílias que ajudamos a integrar novamente na sociedade através dos nossos passeios gratuitos.

Outra das coisas que procurávamos eram voluntários. Pessoas que queiram doar algum do seu tempo para ajudar os outros. Não precisa de ser muito, apenas uma hora de quando em vez, para passear um idoso pela cidade, conversar e fazer um novo amigo.

Para minha felicidade tivemos vários inscritos. Pessoas que realmente estavam interessadas em ajudar. Nunca tinha pensado sobre o que envolve ser voluntário até porque grande parte do voluntariado que fiz, em toda a minha vida, fi-lo entre os 18 e os 28, quando não tinha uma família, casa própria e diversas responsabilidades profissionais e pessoais.

Hoje, a logística é diferente. Tenho que planear muito bem a minha vida para dar tempo e atenção a uma pessoa mais velha que valoriza muito mais a minha companhia e atenção do que eu ganho em trocar isso por uma ida ao cinema ou um fim-de-semana de praia.

É verdade que já encontrei muitas pessoas que dizem “não ter tempo”. Contudo fui-me apercebendo que o verdadeiro problema não é a dita “falta de tempo” mas sim as prioridades que colocamos dentro dessa variável imutável que, na verdade, é universalmente igual para todos nós. No entanto temos ao nosso dispor ferramentas, aplicações e serviços que…a nossa vida…permitindo-nos ter…tínhamos. E a meu ver, há quem utilize esse tempo ganho…

Aprendi a conciliar e organizar as minhas prioridades. Sim, coloquei ajudar os outros como uma prioridade. Caso contrário estaria sempre a arranjar desculpas para não o fazer. Hoje em dia, faço-o em família. Envolvo o meu marido, os meus pais e alguns familiares e/ou amigos mais próximos. O impacto e a entrega duplicam, triplicam, e por aí fora. Não sou eu apenas a ajudar, somos vários. Não tenho que me ausentar e fazer algo sozinha deixando a minha vida pessoal de parte. Faço-o em conjunto e acabamos todos por estar juntos e ajudar alguém ao mesmo tempo. A entrega é realmente gratificante. Isto é o meu exemplo e a forma que arranjei sempre para trabalhar este tema. Conheço outras pessoas que o fazem.

É comum atribuir-se o facto de ser-se voluntário àqueles que têm tempo livre e querem combinar a sua actividade com algo mais e por isso, dedicam o seu tempo a uma causa. Creio que acontece sim, mas o contrário também é verdade. Há pessoas com vidas extremamente preenchidas a nível profissional, CEO’s de multinacionais ou empresários com mais do que uma empresa, com família e filhos e com isto: fins-de-semana extremamente preenchidos com actividades extra-curriculares, festas de aniversários, play dates, que ainda assim, conseguem dedicar o seu tempo a ajudar os outros. Qual é então, a desculpa? Não ter tempo? Ninguém tem.

Posto isto, parece-me pertinente questionar se o tema voluntariado deve entrar presente na esfera de actividades internas das empresas como um must-have. Parece-me, cada vez mais necessário e urgente, as empresas integrarem o voluntariado na sua estratégia de marketing social e transformarem os seus colaboradores em voluntários.

Como? Através da integração de programas de responsabilidade social que detenham ligação com o seu posicionamento, audiência e ADN incluindo-os na sua estratégia de CSR com o envolver crítico dos seus colaboradores onde a própria empresa detém um papel preponderante na disponibilização de X horas por mês de voluntariado. Os teóricos irão questionar o impacto que tudo isto tem na produtividade. A meu ver, nenhum. É uma opção. Tanto como escolher tirar férias. Eu escolho que três horas da minha sexta-feira são para ajudar alguém a sentir-se mais valorizado através de uma experiência de voluntariado. E mais, a minha empresa apoia-me e torna isto possível. Uma excelente medida de Employer Branding, a meu ver. A proposta de valor é notória. No entanto, a empresa deve entender que é importante colocá-la à disposição do seu colaborador e com isso aumentar a sua proposta de valor e a sua reputação corporativa enquanto empregador, potenciando-a como uma forma de reter talento dentro da sua Organização.

 

Carla Palmeiro

Vice-Presidente da Direcção da Pedalar Sem Idade

carlapalmeiro@pedalarsemidadelisboa.pt