Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, a Human Resources conversou com algumas mulheres, líderes em vários sectores. Além de mudanças urgentes, conquistas e desafios ultrapassados, Leonor Carmo Pedro, directora-executiva da Pedalar Sem Idade Portugal, partilha conselhos para a próxima geração de mulheres que ambiciona liderar e influenciar o futuro.
Leonor Carmo Pedro é directora-executiva da Pedalar Sem Idade Portugal. Começou a sua carreira profissional como formadora na Ordem dos Farmacêuticos. Em 2021, integrou a equipa da Pedalar Sem Idade Portugal como voluntária e, mais tarde, gestora de Projecto. Em 2022, tornou-se directora de Operações, papel que deixou em 2025 para liderar a associação.
Que mudança estrutural considera mais urgente para acelerar a igualdade de género no mundo do trabalho?
Diria a igualdade de oportunidades. De acordo com dados recentes divulgados pelo parlamento europeu, na UE as mulheres ainda recebem, em média, menos 12% por hora do que os homens pelo mesmo trabalho. Por outro lado, é fundamental parar de se ver a maternidade como um obstáculo à carreira, mas sim como uma força. Tenho mesmo a sorte de ser mãe e de poder transferir os benefícios dessa experiência para o meu trabalho. É a diferença entre ver-se o copo meio vazio ou meio cheio, e a parte cheia é sem dúvida mais forte.
Ao longo da sua carreira, que barreira ou momento desafiante sente que mais influenciou a profissional que é hoje?
Com 28 anos e num cargo executivo, senti muitas vezes que o maior preconceito não era apenas por ser mulher, mas por ser jovem, uma mistura por vezes bombástica. Em reuniões com decisores de diferentes sectores, percebi surpresa antes de escuta. Manter a postura, a serenidade e a assertividade nem sempre foi simples. Mas esses momentos obrigaram-me a crescer rapidamente, a preparar-me melhor e a deixar que o trabalho falasse por mim.
Que conselho deixaria à próxima geração de mulheres que ambiciona liderar e influenciar o futuro das suas áreas?
Às vezes sentimos que precisamos de adoptar posturas mais “masculinas” para sermos levadas a sério. Compreende-se, tendo em conta o que ainda se valoriza na cultura empresarial. Mas não devemos abdicar da nossa essência. A feminilidade traz competências fundamentais — empatia, intuição, estratégia, capacidade de cuidar e integrar. Não somos mais nem menos, somos diferentes. E o mundo precisa dessa diferença. E precisamos também de defender equipas diversas, escolhendo pessoas pela humanidade com que trabalham, pelos seus valores, e visão do mundo.
De todas as conquistas da sua carreira, qual considera mais significativa – e por que razão esse momento marcou o seu percurso enquanto líder?
A maior conquista é a equipa com quem trabalho. Pessoas mesmo boas — com espírito crítico, profissionalismo e foco na missão. Não foi algo que fiz sozinha, pelo contrário. Resulta do contributo de cada um. Ainda tenho muitos anos de trabalho pela frente, mas depois de experimentar trabalhar com uma equipa assim, tenho a certeza de que vou privilegiar sempre as pessoas. São elas que constroem as organizações, não os cargos nem os títulos.